Em Destaque · 23 fevereiro 2026
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Os ovos de chocolate já começaram a chegar ao comércio varejista, despertando no consumidor a vontade de degustar o produto bem antes da Páscoa. Mas é preciso preparar o bolso porque o preço do chocolate está ainda mais amargo que em 2025, reflexo de problemas na produção em anos anteriores. Mesmo assim, indústria, lojistas e fabricantes de ovos artesanais estão confiantes no bom desempenho das vendas e aumentaram a produção e os pedidos.

Entre 2023 e 2024, eventos climáticos afetaram a produção de cacau em grandes paises produtores, o que desequilibrou a oferta e a demanda no mercado global. Isso fez com que as cotações da tonelada do cacau subissem e parte deste aumento foi repassada para as industrias de chocolate e para os preços dos produtos ao consumidor.

Mesmo com uma queda recente no preço internacional do cacau, que hoje oscila entre US$3 mil e US$5 mil por tonelada, os estoques atuais das fabricantes ainda estão com valores mais altos comprados no passado, o que deve manter os ovos de Páscoa mais caros nos supermercados nesta Páscoa. A indústria brasileira importa boa parte das amêndoas de cacau que processa, por isso é afetada pelas oscilações de precos.

O empresário Divino Ismael Leite, proprietario da fabrica goiana de ovos de chocolate Dianju, conta que precisou antecipar o inicio da produção porque a Páscoa deste ano será 10 dias mais cedo que em 2025: no dia 3 de abril. “Começamos a produzir ovos em setembro do ano passado, paramos para fazer o panetone, e voltamos dia 5 de janeiro”, conta. Segundo ele, a produção será entre 22% e 30% acima do ano passado.

A indústria já recebeu 37 toneladas de chocolate, mas já pediu mais matérias-primas. Leite informa que a maioria das redes que compram da Dianju pediram 30% a mais ovos de chocolate que na Páscoa de 2025. Isso porque as grandes indústrias reduziram em 30% as entregas em relação ao ano passado para pulverizar mais as entregas no mercado. “Com isso, as grandes redes passaram a nos procurar mais e tivemos de aumentar nossa produção”, diz o empresário.

Ele lembra que, hoje, também está mandando ovos de chocolate para outros estados, como Pará, Pernambuco, Bahia, Tocantins, Minas Gerais e Mato Grosso. Divino Leite lembra que, apesar do preço do chocolate ter tido uma queda de 32% na bolsa, depois que a Costa do Marfim voltou a produzir com perspectiva de uma boa safra, o valor ainda não caiu no mercado porque este cacau ainda não foi colhido.

Por isso, a estimativa é que os preços dos ovos de chocolate devem subir cerca de 8% a 12% neste ano. A indústria, que vende seus produtos para dezenas de redes supermercadistas e distribuidores pelo país, produz 14 tamanhos, que vão de 50 gramas até 380 gramas.

Neste ano, a empresa adquiriu novas máquinas para otimizar a linha de produção, como bombas de chocolate mais eficientes, que elevaram a eficiência. “Em breve, teremos uma máquina que irá embalar e até enlaçar os ovos sozinha”, diz.

A supermercadista Camila Naves proprietária do Arroba Supermercado, conta que encomendou ovos de chocolates mais populares neste ano para atender melhor o perfil de consumo de seus clientes. “As marcas tradicionais estavam saindo por R$ 50 de custo pra mim, o que dificultaria a venda, por isso optei por marcas mais baratas, que compro todos os anos”, afirma a empresaria.

O volume pedido foi praticamente o mesmo do ano passado, com foco nos ovos menores, que variam de 150 a 190 gramas, mas ela está confiante no bom desempenho das vendas. “Não compramos muito para evitar prejuízo, pois o produto é sazonal. Mas o pessoal sempre deixa pra última hora mesmo e, no final, sempre vendemos tudo”, lembra Camila.

A empresária afirma que muita gente também compra ovos pequenos nas semanas que antecedem a Páscoa para atender ao pedido dos filhos, por isso o produto começa a ser exposto bem antes da data.

O supermercadista Gilberto Soares, do supermercado Ponto Final, conta que, hoje, as grandes indústrias é que determinam o tamanho dos pedidos de cada cliente. “As marcas grifes, todos os anos, já fazem os pedidos automaticamente e, às vezes, mandam menos do que pedimos para evitar sobras”, explica. Mas, segundo ele, uma marca regional se torna a mais vendida porque tem um menor custo com frete e logistica, que contribui para um melhor custo-beneficio e qualidade.

Os preços tiveram uma alta média de 15%. Com este maior controle de pedidos pela indústria, ela acredita que muitos supermercados terão menos produtos em exposição neste ano. “Estive em uma grande rede, nesta última semana, e percebi uma grande redução nas parreiras de ovos, que tinha apenas uns 3 metros quadrados”, conta Soares.

Fonte: O Popular