Em Destaque · 20 fevereiro 2026
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As peixarias e supermercados de Goiânia já começaram a receber um estoque mais reforçado de peixes para este período da Quaresma, que começou nesta quarta-feira (18). Ao longo das próximas semanas, a estimativa é de um aumento de 20% sobre a demanda registrada no mesmo período do ano passado, até a Semana Santa, quando o consumo chega a dobrar. Os preços também devem estar um pouco mais caros, depois de uma alta no fim de 2025, e a oferta de alguns peixes está mais reduzida a cada ano, como o pintado de rio.

A maior alta deve ocorrer nos preços dos peixes frescos, que não podem ser estocados e ficam mais suscetíveis às oscilações do mercado nesta época. José Humberto de Lima Junior, proprietário da Pescados e Cia, que tem uma indústria e quatro lojas de pescados em Goiânia, lembra que, normalmente, os preços já sobem no fim de cada ano. “Mas o peixe fresco varia mais porque a gente tem de comprar semanalmente e não consegue estocar. Com isso, o preço sobe com o aumento da procura”, explica.

Ele conta que, como alguns peixes de rio têm oferta sazonal, é preciso comprá-los durante o período de safra, no segundo semestre de cada ano anterior, para congelar e estocar. Geralmente, a procura é mais aquecida nesta primeira semana da Quaresma, caindo um pouco nas semanas seguintes e voltando com força total quando a Semana Santa se aproxima. Entre os peixes mais procurados, estão a caranha, o tambaqui, o pintado, a sardinha, o bacalhau e o camarão.

Os cortes mais vendidos são o filé e as postas. “O único entre estes peixes mais vendidos, cujo preço disparou desde o fim do ano passado, foi o bacalhau, que subiu 20%”, informa o empresário. Hoje, o quilo do bacalhau do porto dessalgado já está sendo vendido por R$249, contra até R$199 no mesmo período do ano passado. “Como outros produtos importados não subiram tanto, essa alta provavelmente não teve nada a ver com o dólar”, acredita.

Ele lembra que, como o consumo diário de peixe tem aumentado, já não há um crescimento tão grande no período da Quaresma em relação aos demais meses do ano, como acontecia antes. “A grande demanda mesmo é na Semana Santa, quando as vendas chegam a dobrar em relação aos demais meses do ano”, destaca.

O piscicultor Pedro Gravata cria tilápias em Três Ranchos, na região Sudeste do estado, há cinco anos. Hoje, ele produz 300 toneladas mensais e a produção aumenta de 20% a 30% neste período para atender a demanda. Como o ciclo de produção é de cerca de seis meses, entre agosto e setembro, a criação já é reforçada para estar pronta nesta época. “No ano passado, a produção já foi antecipada porque o carnaval aconteceu mais cedo em 2026”, explica.

Segundo Gravata, o consumo de tilápia vem crescendo muito até por conta do ramo fitness, por isso a diferença já não é tão grande na Quaresma em relação aos demais meses do ano. Há alguns anos, nesta época, o aumento era de 50%. “Mas, como o consumo vem aumentando muito no dia a dia, agora a alta é de 20%’, ressalta. Antes, as pessoas comiam uma ou duas vezes por mês. Hoje, comem praticamente toda semana”, compara.

Atualmente, ele vende sua produção para frigoríficos localizados nos municípios de Uberlândia e Araguari, em Minas Gerais, Brasília e Goiânia. Como a demanda é crescente, sua meta é chegar a 500 toneladas mensais, em breve. O produtor informa que o preço já teve uma alta de cerca de 10% no último mês de janeiro. “Na Semana Santa, sempre há uma explosão no consumo e ficamos preparados para isso”, destaca.

Mais caro

Mas, para Adriana Rocha da Silva Assis, assistente administrativa da Nova Peixaria, a realidade do pescado não mudou em relação aos últimos dois ou três anos, quando faltou produto no mercado. Por conta do baixo estoque nas indústrias, segundo ela, a tendência é de alta nos preços do produto. “Aguardamos a chegada de peixes para a semana que vem e eles já devem chegar com novos preços. Mas acreditamos que não será nada exorbitante”, informa.

Entre os peixes mais procurados neste período estão pintado, caranha, tilápia, dourado e salmão. Adriana ressalta que o problema é que o consumo aumenta muito neste período, justamente quando a pesca está fechada no Rio Amazonas. “É um período bem difícil para os pescados e, hoje, praticamente todos estão com oferta menor. Ficamos sempre lutando juntos aos fornecedores para não deixar falta para nossos clientes.”

Adriana ressalta que a venda de alguns peixes é muito grande nesta época e a produção não consegue acompanhar a demanda, o que impacta nos preços. A oferta dos peixes de rio, por exemplo, é muito impactada por questões climáticas, como a seca ou a cheia severa dos rios.

José Humberto Lima, da Pescados e Cia, lembra que, a cada ano, as espécies estão diminuindo, como o pintado de rio. “Infelizmente, a cada ano que passa, as espécies estão diminuindo de tamanho e quantidade, pois a natureza não está conseguindo repor de acordo com o aumento da demanda”, avalia.

Para esta época do ano, a Peixaria do Gordo reforça seu estoque em cerca de 20% para atender o aumento na demanda. O atendente Túlio Medeiros conta que, entre os peixes mais procurados, estão o pintado, o filé de tilápia e o tambaqui. Segundo ele, os preços praticamente não subiram nas últimas semanas porque já tiveram um aumento no fim de 2025.

Medeiros também adverte que alguns peixes estão mais difíceis de se achar, como o próprio filé de tilápia, por conta do grande aumento do consumo nos últimos anos. “O goiano também está criando o hábito de comer peixe toda semana. Acho que, por conta dessa crescente demanda, está ficando mais difícil atender a procura”, acredita.

O presidente da Associação Goiana de Supermercados (Agos), Sirlei do Couto, confirma o aumento da procura por peixes neste período, em detrimento de proteínas bovinas e suínas. Mas, com a tendência da procura por alimentos mais saudáveis, ele prevê que, neste período de Quaresma, a demanda por pescados deve ser ainda maior que em anos anteriores, com crescimento de, pelo menos, 10%.

Neste período do ano, o supermercadista conta que aumenta em 100% suas compras de pescados para atender a demanda. Alguns pescados estão com o mesmo preço do ano passado, mas a tilápia está 5% mais cara. “Apesar da produção de tilápia ser crescente, o consumo também vem aumentando gradativamente no estado”, diz.

Segundo Couto, os supermercadistas sempre estocam mais pescados a partir de agora para atender o grande aumento da procura na Semana Santa. Mas ele lembra que o ovo, cujo preço em janeiro estava cerca de 9% menor que no mesmo período de 2025, segundo o IPCA, também deve ser uma boa opção no cardápio durante esta Quaresma.

Fonte: O Popular