Em Destaque · 12 fevereiro 2026

Foto: Freepik

Excesso de água eleva custo e reduz em até 50% produção de itens como alface, rúcula, chuchu, coentro, abobrinha, jiló e tomate

Quem costuma comprar hortaliças, frutas, verduras e legumes ja deve ter percebido que muitos produtos estão mais escassos e com uma aparência menos convidativa nas últimas semanas. É que o período chuvoso tem impactado diretamente na produtividade de várias culturas, resultando numa queda de mais de 50% na produção. O problema tem afetado mais produtos como alface, rúcula e coentro, que são mais sensiveis ao excesso de umidade.

O excesso de chuvas facilita a proliferação de doenças, piora a aparência de muitos produtos e reduz a colheita. O resultado sãopreços maiores ao consumidor. Um bom exemplo é a alface, que praticamente dobrou de preço em relação ao ano passado: o palito com três cabeças passou de R$ 7 para até R$ 15. Na Centrais de Abastecimento de Goiás (Ceasa), a caixa com 22 quilos de chuchu já passou de R$ 30, no início de janeiro, para R$ 120 nesta segunda-feira (9). A de jiló saltou de R$ 30 para R$ 100.

Os produtores de hortaliças são os que mais sentem os efeitos do excesso de chuvas sobre suas hortas. O horticultor Darlan Fonseca, da Hortinha Vila Rosa, conta que este é um período bem mais dificil para se produzir, por conta da maior proliferação do mato. Ele conta que o excesso de água também não deixa a planta se desenvolver adequadamente.

Forte calor afeta hortaliças e já provoca alta nos preçosTemendo prejuízos, produtor se prepara para enfrentar frio em Goiás

Chuvas aumentam e preços disparam na Ceasa-GO

O resultado é uma queda de 50% ou mais na produção que é colhida diariamente, pois tudo é muito afetado por este excesso de água. “O custo de produção também aumenta muito porque precisamos colocar o plástico mulching, que evita a proliferação do mato e protege mais a planta contra umidade, ajudando a água a escoar mais rápido”, explica o produtor.

Todo este aumento nos custos já se reflete no preço das hortaliças ao consumidor. Darlan Fonseca informa que o palito da alface, por exemplo, já passou de R$ 7 para R$ 15 e, possivelmente, a horta precisará reajustar outros produtos em breve. “O consumidor sempre reclama, o que é normal, mas não fica sem os produtos”, destaca Fonseca, lembrando a dificuldade para produção neste periodo.

No varejo, a oferta está menor. Antônio Glesom, gerente do Supermercado Faiçalville, conta que seu fornecedor de hortaliças fazia duas reposições diárias de produto, pela manhã e à tarde. Atualmente, estão vindo apenas pela manhã por conta da escassez do produto, que também não tem mais o tamanho e a aparência tão boa quanto antes. “As folhagens não ficam mais volumosas e as folhas não são bonitas como antes”, descreve.

Glesom lembra que outro bom exemplo é o dos tomates, que também estão com qualidade bem inferior por causa do excesso de chuvas. Segundo ele, diante da alta, o estabelecimento já está vendendo o quilo do chuchu por R$ 13. “Como a oferta de hortaliças está bem menor para o consumidor, os produtos acabam logo cedo. Coentro mesmo, que é menos resistente à chuva, não está tendo hoje”, completa o gerente.

Coentro e rúcula também estão em falta na Rede Empório Casa Lopes Atlântico, segundo o encarregado da loja, Alan Cássio. Segundo ele, a aparência da alface também está feia, e as folhagens, estragando mais rápido. “Verduras e frutas também perderam muito a qualidade nas últimas semanas. O consumidor reclama que está em falta e mais caro”, informa.

Pressão nos preços

Para o presidente da Associação Goiana de Supermercados (Agos), Sirlei do Couto, um dos maiores problemas neste período chuvoso é o grande volume de perdas de hortaliças, que reduzem a oferta e pressionam os preços. Segundo ele, os fornecedores de seu estabelecimento ja elevaram os preços em cerca de 45%. “Eles contam que ha dificuldade para colher e muito produto estragado por conta da umidade”, destaca.

Gilberto Soares, do Supermercado Ponto Final, confirma que o aspecto dos produtos também não está tão bom. Um exemplo é a alface, que chega com cabeças pequenas. Mesmo assim ele, acredita que a situação está melhor que em anos anteriores, quando muitas pontes cairam e levaram a grandes desvios, o que aumentou muito o custo com transporte e os preços subiram ainda mais.

Outro problema é a redução da oferta de folhagens. “Isso está igual picanha, logo que chega, acaba. Os clientes sabem que a oferta é menor nessa época e vão comprar mais cedo para não ficar sem”, ressalta. Os fornecedores, que entregam uma quantidade fixa por semana, não têm como aumentar os pedidos e até reduzem a quantidade ofertada nesta época.

O gerente técnico da Ceasa, Josué Lopes, conta que produtos como chuchu, jiló, vagem e abobrinha foram afetados pela chuva e os preços subiram. Já os preços das hortaliças, como alface, não sofreram tanto impacto na Ceasa quanto nas feiras e em outros varejistas. “Este é um movimento sazonal nestes meses de janeiro e fevereiro, por conta da instabilidade climática. No ano passado, a extensão foi maior que agora, com mais produtos afetados.”

Welington Mendanha, presidente do Sindicato de Feirantes e Vendedores Ambulantes do Estado de Goiás (Sindifeirante), lembra que a produção nesta época do ano exige um controle bem maior de pragas por parte dos produtores. Mesmo assim, as verduras, legumes e hortaliças não ficam muito bonitas e o preço sobe bastante por conta do excesso de água.

Ele lembra que as folhagens estragam bastante neste período e nem todos produtores têm condições de ter uma estufa.”Não apenas as folhagens são atingidas, mas produtos como tomate, quiabo, vagem e chuchu sobem muito o preço. O feirante acaba ouvindo muita reclamação do consumidor”, conta Mendanha. Ele lembra que no periodo de maio a setembro essas mercadorias são mais bonitas, de boa qualidade e mais baratas. “Hoje, a alface chegou aos R$ 15 o palito e com cabeças bem menores. Rúcula também é muito dificil produzir. O produtor leva menos produtos para a feira e com menor qualidade”.

Fonte: O Popular