
A inauguração da primeira unidade da Assaí Farma, nesta quinta-feira (16), em São Paulo, marca o início da operação do novo modelo autorizado pela Lei nº 15.357/2026, que permite a instalação de farmácias completas dentro de supermercados, desde que atendidas todas as exigências legais e sanitárias.
A medida foi comemorada pela Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), que participou da construção da proposta junto ao Congresso Nacional. Segundo a entidade, o modelo amplia o acesso da população à assistência farmacêutica, gera mais comodidade aos consumidores e cria novas oportunidades para o varejo.
Para o vice-presidente da Associação Goiana de Supermercados (AGOS), Gilberto Soares, entretanto, é importante esclarecer que a presença de drogarias em supermercados não é novidade no Brasil. “Durante muitos anos tivemos drogarias funcionando em grandes redes, como Carrefour, Extra e outras. O que aconteceu agora foi uma mudança na legislação que regulamenta esse formato. Não é algo inédito para o consumidor”, afirma.
Na avaliação do supermercadista, proprietário da rede Ponto Final, a principal pauta do setor supermercadista continua sendo outra: o retorno da venda dos Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs) nos supermercados. “Não considero essa uma vitória para os pequenos e médios supermercados, em especial aqueles que estão localizados nas periferias da Capital ou das cidades-polos, assim como também para aqueles povoados que não contam com farmácia. Esse modelo inaugurado pelo Assaí, em São Paulo, é inviável para a realidade da maioria das empresas em Goiás. Nossa luta continua sendo pela volta dos MIPs, medicamentos como Anador, Dorflex, Sonrisal, Epocler, Vick, Biotônico Fontoura e Leite de Magnésia. São produtos de venda livre, que não exigem receita médica e poderiam ser comercializados com segurança, trazendo mais praticidade ao consumidor”, destaca.
Segundo Gilberto Soares, a discussão sobre os MIPs sempre esteve baseada na ampliação do acesso da população a medicamentos de baixo risco, prática adotada em diversos países. “Não estamos falando de medicamentos controlados nem de colocar a saúde das pessoas em risco. O consumidor já compra esses produtos livremente em qualquer farmácia. O que defendemos é apenas que eles possam voltar às prateleiras dos supermercados, como já aconteceu no passado.”
Embora reconheça que a nova legislação represente um avanço para grandes grupos varejistas que possuem estrutura para operar farmácias completas, Gilberto avalia que ela não atende à realidade da maior parte dos supermercadistas brasileiros. “Para nós, a reivindicação permanece a mesma. O grande anseio do supermercado goiano continua sendo o retorno dos MIPs. É uma medida muito mais acessível, democrática e viável para o pequeno e médio empresário.”
Na prática:
Drogarias dentro de supermercados existem há décadas, em redes como Carrefour, Extra, Walmart, BIG e até em alguns hipermercados regionais. Muitas eram operações terceirizadas ou funcionavam em áreas anexas às lojas.
O que mudou foi a Lei nº 15.357/2026, que passou a permitir que a farmácia funcione integrada ao supermercado, sob a mesma pessoa jurídica (ou mediante contrato previsto na lei), desde que cumpra todas as exigências sanitárias.
Portanto, o ineditismo não está na presença da farmácia dentro do supermercado, mas no modelo legal de operação.
Fonte: Assessoria de Comunicação Agos/ Comunicare
